P217
O P217 apresenta uma síntese possível para a querela entre a composição acadêmica e o despojamento moderno, na qual, por um lado a planta do edifício é marcada pela simetria e por contornos legatários dos estilos associados às escolas de belas artes, por outro projeto de interiores é marcado por soluções inegavelmente modernas.
Ampliada em relação ao projeto original, a área comum do apartamento integra diversos ambientes, mas enfatiza o espaço livre ao optar por manter grandes grandes vazios pontuados por poucos núcleos onde está disposto o mobiliário. Se a economia de elementos associada à metragem poderia resultar em uma espacialidade excessivamente impessoal, é através das materialidades e das texturas que o P217 anima o espaço. No entanto, não abre mão do rigor compositivo, com destaque para a reduzida paleta de cores, quase exclusivamente composta por tons de cinza. O resultado é de um despojamento luxuoso, no qual cada elemento parece integrado ao todo num rigoroso arranjo cuja seriedade é sublinhada pelos tons escuros.
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